Governo do Distrito Federal
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28/10/20 às 17h31 - Atualizado em 28/10/20 às 17h30

Em iniciativa inédita, Setur premia Mestres Artesãos e pioneiros do DF

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Exposição na Casa de Chá estimula o reconhecimento do artesanato local e fomenta a cadeia econômica do Turismo

 

Pela primeira vez na história do Distrito Federal, o trabalho do artesão como veículo de transformação social é reconhecido. Nesta terça-feira (27/10), a Secretaria de Turismo lançou a I Mostra Pioneiros – Mestres Artesãos. Uma pequena mostra do muito que foi produzido por décadas de trabalho criativo. Arte criada por uma cultura que mistura todas as culturas de norte a sul do país. Assim como Brasília é a capital dos brasileiros, o artesanato daqui é a síntese do que é feito em outras regiões. Com a presença de autoridades, os pioneiros e mestres artesãos foram homenageados pelo grande valor de suas obras na consolidação da identidade cultural de Brasília.

 

A secretária de Estado da Mulher, Éricka Filippeli, a Secretária Extraordinária da Pessoa com Deficiência, Rosinha da Adefal, o Subsecretário de Microcrédito e Economia Solidária da Setrab, Alex Barreto, a analista do Sebrae/DF Natália Fabrino, além da organizadora da exposição e mestre-artesã Roze Mendes e dos deputados federais Roberto de Lucena (PODE-SP) e Julio Cesar (Republicanos-DF), entregaram aos pioneiros e mestres artesãos participantes da mostra o diploma de reconhecimento ao grande valor de suas obras para a arte e a Cultura de Brasília, com chancela do Programa de Artesanato Brasileiro (PAB) e do Sebrae DF.

 

São 125 peças de 26 pioneiros e mestres-artesãos que ficam expostas até 15 de novembro, na Casa de Chá, na Praça dos Três Poderes. A idéia da secretaria de Turismo é valorizar o artesanato, fomentar a economia e incentivar o reconhecimento desses mestres.

 

Pelo importante trabalho desenvolvido na comunidade do DF, os artesãos Tião Piauí (fibras); Cleizeane Ribeiro (esculturas de argila); Divino Faleiros (Buritis); Randall Felix (esculturas em madeira); Maria Dalva (Flores do Cerrado); Antônia Lopes de Oliveira (Capim Verde) e Maria Apolinária (Flores do Cerrado) receberam o troféu de honra ao mérito, confeccionado pelo artista plástico Omar Franco.

 

Maria Dalva Oliveira, 68 anos, foi uma das profissionais agraciadas com o troféu. Nascida em Paracatu (MG), aprendeu o artesanato por necessidade e repassou o conhecimento para sua filha, Verônica Brilhante, e Roze Mendes. A mestre-artesã trabalhou na catedral por 15 anos e, hoje, diz sentir- se realizada de todo dia poder fazer um pouco. “Criei os meus filhos fazendo artesanato. Tudo que eu tenho, tudo que sou, ganhei do artesanato”, conta.

 

Verônica, que hoje aprimora sua técnica com Roze Mendes, também discípula de sua mãe, emocionou-se com a homenagem ao trabalho de Maria Dalva. “É o primeiro governo que reconhece esses talentos. Sempre fomos tratados como se fossemos nada”, lembra com uma ponta de tristeza.

 

Já Antonia Lopez de Oliveira, de 80 anos, diz que estava “no fundo do poço” com todo o material produzido trancado em um baú. “Foi quando essa moça, Vanessa Mendonça, me descobriu e foi me buscar. A gente faz arte por amor, com o coração, e eu desejo todo amor para ela”, declarou a mestre artesã, mais idosa do evento.

 

Produção – A força do artesanato para a cadeia econômica da cidade se mostrou antes mesmo do evento começar. Algumas das peças em exposição foram vendidas para turistas do Paraná e Rio de Janeiro, antes da abertura oficial da Mostra. Para fortalecer ainda mais esse setor, que tem um grande potencial de geração de emprego e renda, a Secretaria de Turismo vem incentivando o artesanato típico do DF, que dá vida a matéria prima fornecida pelo Cerrado.

 

A secretária Vanessa Mendonça citou algumas das ações já desenvolvidas, como a abertura de duas lojas em shoppings da cidade para artesãos do DF, além de participação em feiras nacionais e internacionais. Somente em 2019, o setor movimentou mais de R$ 871,5 mil.

 

Segundo Vanessa Mendonça, a pasta tem atuado de forma integrada, junto ao Sebrae e ao PAB, para entender a necessidade da categoria, que hoje registra mais de 10,5 mil profissionais cadastrados na Secretaria. Estruturação, qualificação e promoção dos produtos artesanais foram o norte das iniciativas da Setur. “Não é trabalho de assistencialismo. Atuamos para disponibilizar espaços para a comercialização do artesanato produzido aqui no Distrito Federal, e assim proporcionar geração de emprego e renda”, afirmou.

 

A Setur também atua junto a Subsecretaria de Microcrédito e Economia Solidária da Secretaria de Trabalho para disponibilizar linhas de crédito especiais para a categoria. De acordo com a secretária de Turismo, o próximo passo é a construção da Casa do Artesão, que será um Centro de Referência do artesanato brasiliense.

 

Na avaliação da secretária de Desenvolvimento Social e primeira-dama do DF, Mayara Noronha Rocha, as ações que a Setur vem realizando, principalmente na área do artesanato, são imprescindíveis para fomentar o setor. “Por isso que um evento desse porte se faz necessário. Para que a gente realmente valorize a cultura do artesão, para que a gente crie na população a vontade de investir, de acreditar nessa potência.”

 

Mário Pilar, coordenador cultural da Embratur, entidade parceira da Secretaria, destacou a alta demanda pelo artesanato brasileiro no exterior. Em 2019, a instituição proporcionou a presença dos artesãos do DF em feiras realizadas em Londres e em Buenos Aires. “O compromisso que nós teremos é disponibilizar em cada estande da Embratur, não só no país, mas no exterior, peças do artesanato brasileiro.”

 

Já o coordenador de Relações Governamentais na Apex-Brasil, general Elias Rodrigues Martins Filho, ressaltou as oportunidades que o artesanato pode trazer para atrair investimentos para o país. “Uma exposição como essa reúne a riqueza do talento dos nossos artistas e expõe, ainda, um enorme potencial que temos tanto para atração de investimentos como também para fazer evoluir esse setor a ponto de exportamos para fortalecer a nossa economia”, pondera.

 

Curadoria – As obras que integram a primeira edição da Mostra Pioneiros – Mestres do Artesanato de Brasília foram selecionadas por uma comissão avaliadora. Compuseram o colegiado Ana Beatriz, representante do Programa do Artesanato Brasileiro; a arquiteta Angelina Nardelli Quaglia; a jornalista e designer de interiores, Jane Godoy; Juliana Rocha, representante do SEBRAE; a especialista e consultora em assuntos relacionados ao artesanato Malba Trindade; o artista plástico Omar Franco; e a Secretária de Turismo, Vanessa Mendonça.