Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
24/06/21 às 18h16 - Atualizado em 25/06/21 às 15h55

Feira, kartódromo, igreja e parques são pontos turísticos do Guará

COMPARTILHAR

A Feira do Guará e a Igreja da Paróquia Maria Imaculada terão ações nas rotas da Secretaria de Turismo para ganhar visibilidade e atrair mais visitantes

 

Secretária Vanessa Mendonça visita Feira do Guará acompanhada de Cristiano Jales, presidente da Associação Comercial Varejista da Feira do Guará | Foto: Aurélio Pereira / Setur-DF

 

O Programa Turismo em Ação, da Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur), realizou uma série de visitas na cidade do Guará para promover os pontos turísticos locais, especialmente para os moradores e turistas de Brasília, outras cidades do DF e de todos os estados.

Dar visibilidade a essas e outras atrações do Guará é um dos objetivos da 8ª edição do programa  por meio de visitas técnicas coordenadas pela secretária da pasta, Vanessa Mendonça, em companhia da administradora do Guará, Luciane Quintana. Com isso, a Setur quer inserir o Guará na rota do turismo do DF.

 

Após a inauguração do Centro de Atendimento ao Turista (CAT), na sexta-feira passada (18), na sede da Administração Regional, a caravana da Setur visitou a tradicional e diversificada Feira do Guará, a  Paróquia Maria Imaculada, o Kartódromo Ayrton Senna e os parques ecológicos Denner e Ezechias Heringer.

 

Feira do Guará na rota de Brasília

A inclusão da Feira do Guará no roteiro das empresas de turismo que atendem os turistas em Brasília foi uma das propostas que foram defendidas por comerciantes do local durante a visita da secretária  Vanessa Mendonça.

 

“O brasileiro adora feira, e é natural que quem vem a Brasília tenha o prazer de conhecer uma das mais belas e diversificadas feiras públicas do Distrito Federal”, afirmou o presidente da Associação Comercial Varejista da Feira do Guará, Cristiano Jales, ao receber a secretária de Turismo.  Em alusão à proposta, a secretária afirmou que estuda criar a Rota das Feiras do DF.

 

A Feira do Guará existe desde 1969. Atravessou as décadas e entrou na modernidade e hoje já conta com Wi-Fi Social. Atualmente, a Feira do Guará está plenamente consolidada com mais de 600 lojas de comércio variado, promovendo um movimento por volta de 50.000 pessoas de quarta à domingo. Entre os produtos, destacam-se as roupas, acessórios femininos, eletrônicos, comidas como frutas e verduras, carnes, queijos e doces, além de iguarias típicas. Já tem contas nas redes sociais para manter conectados os turistas do Brasil  e do exterior.

 

Um de seus principais atrativos é o mercado de peixe. Atrai turistas e consumidores pela variedade e qualidade dos produtos e já mereceu até uma dissertação de mestrado – “Por que comprar peixe na Feira do Guará?”, apresentada no Programa de Pós-Graduação em Agronegócios da Universidade de Brasília (UnB).

 

Luciane Quintana e Vanessa Mendonça prestigiaram na visita à Feira do Guará uma das bancas de peixes, especialidade do lugar reconhecida até em tese de mestrado na UnB | Foto: Aurélio Pereira / Setur

 

A pesquisa identificou seis critérios que se tornam referência para distinguir a qualidade dos produtos comercializados nas bancas de peixe da Feira do Guará. Entre eles, o frescor do peixe advindo de recente captura; as condições de conservação a frio do peixe; a limpeza e organização do ambiente; o conhecimento dos funcionários sobre os peixes comercializados; a variedade de peixes procedentes do mar e dos rios; e o atendimento hospitaleiro, descontraído e personalizado.

 

Esses atributos “se mostraram capazes de catalisar as transações de peixe nas peixarias da Feira do Guará, sustentando esse comércio ao longo dos anos, a despeito da proliferação de peixarias nas grandes redes de supermercados”, afirma a pesquisadora Gabriela Mesquita Borges Santos.

 

Quem já foi lá em busca de peixe provavelmente conhece a peixaria de Jorge Ueda. É onde há grande variedade de peixes de água doce e salgada, pescados e frutos do mar. A  secretária de Turismo prestigiou o local para reforçar a posição da Setur de apoio ao segmento, levando em conta que Brasília conquistou o posto de terceiro maior pólo gastronômico do país;

 

Outro exemplo da diversidade dos produtos é a loja especializada na comercialização de castanhas, a Adeilson e Juliana, Castanhas e Cia, cujo proprietário, Adeilson dos Reis Macedo Lobo, 38 anos, está desde jovem na Feira do Guará.

Sávio Kzam, um dos sócios da Saborella, coleciona prêmios e encontra na Feira do Guará matéria-prima para seus produtos | Foto: Divulgação / Saborella

 

Ao cumprimentar a secretária de Turismo, Adeilson defendeu a inclusão da Feira no roteiro dos ônibus que fazem movimentação de turistas em Brasília. Ele cita que a Feira do Guará é um local próximo e que já é bastante visitado pelos moradores da capital e outras cidades do DF e do Entorno.

 

Vanessa Mendonça achou a ideia interessante para ser apresentada e debatida com os empresários responsáveis pelo roteiro dos ônibus de Turismo. “Será bom para os turistas virem conhecer essa feira tradicional do DF”, recomendou Adeilson.

 

 

 

Outro cliente da Feira do Guará é o empresário paraense e brasiliense por adoção Sávio Kzam, um dos sócios da Saborella, tradicional  sorveteria de Brasília, com 25 anos de criação. “Na Feira do Guará, eu encontrou  alguns produtos típicos. Por exemplo, a farinha de tapioca. Há compra de goma de tapioca, porque eu produzo tapioca no meu estabelecimento. A farinha de tapioca eu uso pra fazer sorvete, o meu sorvete de tapioca é o mais tradicional da minha casa e é o mais conhecido em Brasília”.

 

Arquitetura romana

Outro ponto turístico do Guará com condições de ser incluído nas rotas turísticas lançadas pela Setur é a Igreja da Paróquia Maria Imaculada, localizada na EQD 15/17, no Guará II. O pároco, padre Jorge Eldo Lira de Andrade, orgulha-se da arquitetura romana erguida no prédio, bem como das obras sociais e de capacitação profissional que desenvolve há 41 anos. “A igreja é da comunidade do Guará, que tem um grande número de católicos”, apontou o religioso.

 

Padre Jorge Eldo Andrade orgulha-se da arquitetura romana erguida no prédio, bem como das obras sociais e de capacitação profissional que desenvolve há 41 anos. | Foto: Claudio Gerber / Setur

 

Encantada com os traços da igreja, suas obras de arte e o paisagismo da área externa, a secretária de Turismo disse ao pároco que pretende incluir o espaço na rota do turismo religioso de Brasília. “Turismo é experiência. Você não pode gostar do que não conhece. Por isso, esta igreja é maravilhosa e surpreendente e merece ser mais conhecida pelos moradores das demais cidades do Distrito Federal e do Entorno e pelos turistas de Brasília”, comentou.

 

Desde o início da década de 1980, relatou o religioso, a comunidade do Guará acompanha e prestigia um dos mais belos templos católicos erguidos no Distrito Federal. Em 1990, a Paróquia com o apoio da comunidade decidiu fazer uma nova igreja, com o pé direito externo de 13 metros e algo semelhante na parte interna, onde despontam obras de arte religiosa, inclusive sobre católicos que foram mártires assassinados por sua fé,  como ocorreu no Japão.

 

“Nossas pastorais atuam em várias áreas e têm ajudado a diminuir as necessidades que muitas pessoas enfrentam, incluindo com a doação de alimentos”, citou, animado com a obra social da igreja.

 

“Pulmões da cidade”

 

Parque Ecológico Ezechias Heringer, mais conhecido como Parque do Guará, é um dos ‘pulmões verdes’ da cidade | Foto: Aurélio Pereira / Foto: Setur

 

Por sua localização próxima a Brasília, a cidade do Guará atrai investimentos imobiliários. Mas conta com espaços verdes que funcionam como um verdadeiro “pulmões” da área urbana, conforme salientou a superintendente da Unidade de Gestão e Conservação do Instituto Brasília Rejane Pieratti, ao acompanhar a visita da caravana ao Parque Ecológico Ezechias Heringer, mais conhecido como Parque do Guará.

 

Trata-se de um santuário ambiental que oferece natureza e lazer aos moradores da cidade. Eles têm procurado a área cada vez mais para usar a prática de esportes, levar os filhos para brincar no parque infantil ou correr na pista de caminhada, implantadas por meio de parcerias com a iniciativa privada. A área é uma conquista da cidade, que teve a poligonal aumentada de 304 para 346 hectares, após a retirada de 70 chacareiros.

 

Rute e Selma, mãe e filha, frequentadores assíduas do Parque do Guará, consideram o lugar como uma opção de lazer para os moradores e que pode ser estendido aos turistas | Foto: Aurélio Pereira / Setur

 

“Sempre estamos fazendo caminhadas no parque”,  contou Rute Pereira da Silva, que frequenta a área sempre ao entardecer com sua mãe, Selma. “Antes essa área era dominada por chacareiros e ninguém entrava”.  Microempreendedora individual que atua na área de turismo, Rute ficou muito feliz em saber da caravana da Setur para impulsionar o interesse do turismo interno no Guará. Achou a opção interessante porque trabalhava com a venda de passagens aéreas para outros destinos e cujo volume de vendas foi afetado pela pandemia.

 

Na área, é possível ver vegetais nativos de Brasília, como o Podocarpus brasiliensis, o chamado Pinheiro Bravo, a única espécie de pinheiro do cerrado local. Com 345 hectares, o Parque Ecológico Ezechias Heringer foi idealizado em 1960, com o objetivo de preservar as margens do Córrego do Guará, que abastece o Lago Paranoá. Seu nome é uma homenagem ao agrônomo pioneiro Ezechias Heringer, que dedicou sua vida a estudar a flora do cerrado, em especial, as orquídeas. Lá existe um pequeno orquidário com espécies nativas.

 

Outra área verde que simboliza a preservação da cidade é o Parque Vivencial Denner, localizado no Polo de Modas do Guará. Foi criado pela Lei nº 739, de 28 de julho de 1994. Possui uma área de 2.735 hectares e um perímetro de 857 metros. O Parque também faz divisa com o Parque Ecológico Ezechias Heringer e com o Parque Ecológico e Vivencial Bosque dos Eucaliptos. É estruturado com pista de caminhada, parquinho e quadras esportivas. Também possui uma nascente e trecho de campo de murundu, vegetação típica do cerrado.

 

Edi Peixoto é um cuidador voluntário do Parque Denner, cujo nome é uma homenagem do Polo de Modas do Guará a um dos mais famosos estilistas brasileiros | Foto: Claudio Gerber / Setur

 

 

Um de seus cuidadores voluntários é Edi Peixoto, aposentado que se dedica à preservação da área. Segundo contou, o parque foi batizado com o nome de Dener em homenagem a Dener Pamplona de Abreu (1037-1978), estilista brasileiro que foi um dos pioneiros da moda no Brasil. “Foi homenageado em alusão ao Polo de Modas do Guará”, lembra o cuidador que tem, entre seus afazeres, o privilégio de alimentar pequenas tartarugas que habitam o lago do parque.

 

Celeiro de pilotos

A caravana fez um pit-stop no Kartódromo Ayrton Senna, inaugurado em 1976, que está entre os melhores do país, com curvas e retas desenhadas pelo ex-kartista Cláudio Blois Duarte há 39 anos. As corridas são disputadas em duas configurações da pista, uma no sentido horário e outra no sentido anti-horário. É apontado como celeiro de pilotos, como os da família de Nelson Piquet, além Felipe Nasser, Roberto Pupo Moreno, Vítor Meira, Alex e Fernando Dias Ribeiro, Felipe Guimarães e tantos outros.

 

Luciane Quintana e Vanessa Mendonça conheceram as máquinas usadas pelos amantes da velocidade no Kartódromo Ayrton Senna | Foto: Aurélio Pereira / Setur

 

Para a  Associação dos Pilotos de Kart de Brasília (Askart), os motores vão roncar mais forte na área se houver atenção para reforçar a tendência vocacional do espaço para corridas com alto potencial turístico. Mesmo em plena pandemia, no próximo dia 29, a entidade promove neste ano a segunda corrida da modalidade.

 

Ao receber a visita da secretária Vanessa Mendonça, o presidente da Associação dos Pilotos de Kart de Brasília (Askart), Dibo Moisés, relatou a força turística desse esporte na economia.

 

Dibo Moisés, presidente da entidade de kart do Guará, afirma que o espaço é um celeiro de pilotos e reúne com alto valor turístico / Foto: Claudio Geber / Setur

 

“Esse espaço é importante tanto para o Guará quanto para toda Brasília porque conseguimos reunir cerca de 250 pilotos do DF e de outros estados que utilizam a pista de 875 metros para treinar e suas equipes e os 53 boxes existentes. E em eventos, como as corridas, mais de 300 pessoas estão envolvidas com esse esporte”, contou o presidente da Arkart.

 

Na avaliação da secretária de Turismo, a área deve ser considerada como polo econômico local. “Esse kartódromo é um celeiro de pilotos de projeção internacional e deve ser ponto para a realização de eventos permitindo a geração de emprego e renda”,afirmou a secretária, que vestiu os trajes de piloto para experimentar manobras em um kart na pista.

 

Testemunha disso é a comerciante Nair Teixeira, 81 anos, que comanda o seu restaurante instalado dentro do kartódromo, onde serve diariamente feijoada, feijão tropeiro e outras iguarias, com a lembrança viva de já ter servido muita gente famosa, ao longo de quatro décadas.

 

A comerciante disse  estar torcendo para que a pandemia termine logo e o kartódromo do Guará volte ao pódio das corridas movimentadas para reaquecer a economia local.

 

—-

Mais informações e pedidos de entrevistas
(61) 98137 8362
ascom@setur.gov.df.br
http://www.turismo.df.gov.br/