Governo do Distrito Federal
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12/09/21 às 10h29 - Atualizado em 12/09/21 às 10h45

Lago Oeste celebra Dia Nacional do Cerrado

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Experiências e debates provocam reflexão sobre preservação, respeito e valorização da savana brasileira

 

Foto: Renato Braga/Setur-DF

 

 

“Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos…”, como na música Sol de Primavera, escrita pelo compositor Beto Guedes, em 1979, a Associação Viva Lago Oeste vai celebrar o mês do Cerrado oferecendo, à comunidade, uma extensa programação com múltiplas experiências turísticas em interação com o meio ambiente. As atividades abrangem todo o mês e visam provocar a reflexão sobre a necessidade de preservação, respeito e valorização desse bioma.

 

Na manhã deste sábado (11/09), no Dia Nacional do Cerrado, a secretária de Turismo do DF, Vanessa Mendonça; o secretário-executivo de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, Luciano Mendes; o presidente da Ruraltur, Fernando Mesquita; jornalistas e convidados participaram de evento para marcar o início das comemorações. A atividade ocorreu na Trilha do Calango e foi organizada pelos 17 empreendedores que fazem parte da associação. Na pauta, os empresários tiveram a oportunidade de oferecer os diversos produtos e experiências associados ao turismo – da gastronomia à contemplação. Além disso, tiveram a oportunidade de debater novos caminhos para a promoção do setor na região.

 

A secretária Vanessa Mendonça contou que acompanhou a criação da Associação Viva Lago Oeste desde o início de 2019. “Vi que a luta de vocês não foi e não é fácil. Mas representou uma virada de chave e uma janela que se abre para o turismo do DF e, quando uma janela se abre para um, abre-se para todos”. Referindo-se ao Guia Referencial do Viva Lago Oeste, a dirigente disse também que poucas cidades no mundo têm a diversidade de oferta de segmentos e experiências pelo olhar do turismo, com alma, acolhimento e em completa interação com o meio ambiente.

 

Secretária de Turismo Vanessa Mendonça – Foto: Renato Braga/Setur-DF

 

“Todos os empreendimentos estão dentro do nosso Cerrado, que abraçou a nossa cidade, que oferece essa paisagem única, os frutos, o artesanato, a gastronomia. Os senhores que cuidam tão bem dele merecem o nosso apoio. O governador Ibaneis Rocha nos orientou a caminharmos juntos com a iniciativa privada, que gera emprego, renda e desenvolvimento local. O Turismo é o setor que mais emprega no mundo, assim, os Centros de Atendimento ao Turista são equipamentos públicos que podem ser um espaço para dar visibilidade ao Guia do Lago Oeste. O produto está pronto, precisamos apresentá-lo ao trade”, disse.

 

O presidente da Associação Viva Lago Oeste, Marcus Vinícius Heuzi, falou que, pelo segundo ano, o grupo organiza atividades em comemoração ao Dia Nacional do Cerrado. “A proposta é refletir sobre esse lindo, maravilhoso, resistente e sofrido bioma. Estamos abrindo o mês com diversas atividades e debates para contribuir para essa reflexão. O Lago Oeste cuida, mas é importante a população estar engajada com a nossa bandeira: preservar o Cerrado”, falou.

 

Foto: Renato Braga/Setur-DF

 

“É preciso refletir em todos os ambientes sobre os espaços onde vivemos para que, cada vez mais, a gente tenha um espaço melhor no futuro. No Distrito Federal, estamos procurando zelar muito bem do nosso território e a água é carro-chefe do nosso governo, comando dado pelo nosso governador. Estamos fazendo o nosso melhor, a despeito de todos os nossos desafios e os três milhões de habitantes é um deles. A gente precisa ter água e alimento. Para isso, uma das coisas que estamos fazendo é o diálogo entre as instituições públicas e privadas que interagem com a agricultura para construir o Plano de Desenvolvimento Rural para os próximos 20 anos. Todas as temáticas que influenciam o espaço rural estão contempladas, inclusive o turismo. Essas atividades devem ser fomentadas para proteger os nossos espaços”, informou o secretário-executivo de Agricultura, Luciano Mendes.

 

Os proprietários do Boaz Eventos, um dos empreendimentos da Associação Viva Lago Oeste, dedicado a agricultura orgânica, hospedagem e eventos, Odete Rigato Mioto e Renê Edson Mioto, estavam presentes e reconheceram o trabalho da Secretaria de Turismo para as conquistas obtidas desde 2019. “Nós que iniciamos  o processo,  sabemos das “dores do parto” e que, se não tivéssemos  tido o apoio que tivemos, não teríamos avançado até aqui. E agora, com a proposta de uma reunião de trabalho feita pela secretária Vanessa Mendonça,  para o nosso  projeto se integrar às outras cadeias, como foi feito com o enoturismo do PAD-DF, nós só temos a agradecer todo o apoio e o trabalho conjunto”, falou Renê Mioto.

 

Cerrado


“Agradeço pela existência da natureza, que é a nossa existência, o cerrado que passa na veia. Em relação à localização que nós estamos, é até uma missão para nós empresários pela questão ecológica, pois estamos dentro de um corredor ecológico e perto de uma Área de Proteção Ambiental, que é o Parque Nacional de Brasília. Quando se fala de água, estamos dentro da caixa d’água, representada por três bacias hidrográficas, do Maranhão, do Tocantins e do Paraná. A gente tem o compromisso de fazer esse trabalho sustentável, trabalhar o turismo, mas o turismo consciente, ecológico, sustentável e gerando renda”, declarou a proprietária da Trilha do Calango, Ludmila Rodrigues Souza.

 

Segundo maior bioma da América do Sul e também o segundo maior bioma do Brasil, o chamado “berço das águas” tem uma área de 2.045.000 km² onde se encontra seis das principais regiões hidrográficas brasileiras: Parnaíba, Paraná, Paraguai, Tocantins-Araguaia, São Francisco e Amazônica. Até mesmo a bacia hidrográfica do Amazonas recebe as águas que brotam no Cerrado. Além das águas cristalinas, de lindas cachoeiras, é no cerrado que estão quase 12 mil espécies de plantas nativas catalogadas, 199 espécies de mamíferos e 837 espécies que compõe a avifauna, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (2017).

 

“O Cerrado que nos traz a água, a vida, o trabalho, o alimento e para nós que moramos aqui representa todo o significado da transformação e da capacidade de realizar. Não podemos esquecer que essa cidade nasceu aqui no meio dessa vegetação, pela coragem dos candangos. Hoje comemoramos duas datas: o Dia do Cerrado e dia do Candango, que foi dia 10. Dentro de cada um de nós tem empresários que com a mão, os braços, as forças, a alma e a energia, todos os dias, transformam o pedaço de terra em um novo empreendimento, gerando vida e emprego. Saúdo o Cerrado e saúdo cada um dos empreendedores do Lago Oeste, que sabem honrá-lo”, finalizou a secretária Vanessa Mendonça.

 

Foto: Renato Braga/Setur-DF

 

“A savana mais antiga do planeta não é pouca coisa, 45 milhões de anos tem esse bioma. Então, é um velhinho que precisa da nossa atenção. Temos uma das maiores biodiversidades do mundo e o berço das águas. A gente aprende desde criancinha que as raízes são profundas no Cerrado para buscarem água lá embaixo, mas esquecemos que a raizinha que puxa essa água é a mesma que abastece os nossos aquíferos. Então, sem a nossa reserva não vai ter esse ciclo da água. Nenhum ser vive sem água, daí a importância do nosso bioma”, observou a empresária Ludmila Souza.

 

Rota do Café

 

Durante o evento a secretária Vanessa Mendonça anunciou que a Rota do Café será implementada no Distrito Federal, por meio de parceria com a cidade de Vassouras, no Rio de Janeiro, que abriga o Vale do Café. A ideia surgiu em função de o melhor café do Brasil ser produzido nas Fazendas Canaã e Novo Horizonte, no Lago Oeste: o Café Minelis.

 

Os proprietários do empreendimento, pai e filho, Carlos Alberto Leite Coutinho (75) e Carlos Alberto Leite Coutinho Filho (50), estavam presentes no evento e ficaram bastante surpresos com a novidade. O precursor da atividade conta que o início, em 2003, foi casual e a intenção era apenas plantar para o consumo. No entanto, o empresário descobriu que a região é um dos melhores lugares do mundo para se produzir café.

 

“Todos os cafés bons do mundo estão acima de mil metros de altitude. Nós temos altitude, nós temos clima, temos um período de colheita conhecido como inverno seco, ótimo para a colheita. Fomos aprendendo e fazendo. Os defeitos climáticos e de solo, podemos corrigir. O maior segredo de um produto de excelência é a secagem. Café especial tem uma secagem especial. A partir de 2006, começamos a ter uma produção comercial. O café é uma das culturas com maior importância social do mundo, o café ocupa 25 milhões de pessoas ao longo da cadeia. O café para a pequena propriedade do Distrito Federal tem um significado muito grande”.

 

O Café Senhor, também produzido pelos Leite Coutinho, é classificado como produto de café verde, que entrega a produção em grão cru e produz duas mil sacas por ano. A maior parte dessa produção vai para a rede italiana Illy Café e rendou ao Senhor a vitória no concurso Ernesto Illy, na Europa. Na outra ponta, o Café Minelis abastece cafeterias especiais do Distrito Federal.

 

“Estamos muito orgulhosos de termos sido citados pela secretária Vanessa Mendonça e muito orgulhosos de fazer parte da criação da Rota do Café no Distrito Federal. O segredo do nosso resultado chama conhecimento, mas o amor e o trabalho que meu pai sempre dedicou a isso. O resto da família seguiu esse caminho com dedicação. Estamos à disposição da Secretaria de Turismo para fazer parte dessa rota”, afirmou Carlos Alberto Leite Filho.