Governo do Distrito Federal
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26/07/21 às 11h57 - Atualizado em 26/07/21 às 11h59

Paco Britto: “Quando o governo é bom todo mundo quer ser vice”

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Por: GPS Lifetime

Esta foi a décima segunda vez que Paco Britto assumiu o governo do Distrito Federal na ausência do governador Ibaneis Rocha. Coordenador-geral da transição, em 2018-2019, ambos têm caminhado em sintonia, haja vista a inesperada pandemia que comprometeu tantos planos de governo, mas não a ponto da dupla abandoná-los.

 

Durante o exercício do comando do DF, enquanto Ibaneis gozava de suas férias com a família, o governador Marcus Vinicius Britto, de 57 anos, conversou com o GPS|Lifetime. Pai de Catharina e Cristiano, estudantes de Medicina, e Flavinho, estudante de Engenharia da Computação, Paco é apelido adquirido na infância, quando chegou em Brasília, em 1974, acompanhando o avô Flavio, senador pelo Amazonas.

 

Ainda adolescente, conheceu a discreta Ana Paula Hoff nas festas do Lago Sul e, em 1988, casaram-se. Ela advogada, ele empresário. Paco desenhou uma frutífera história com Brasília e vem tentando demonstrar esse apreço pela cidade ao longo desta gestão, onde tem se posicionado como um influente articulador entre setor produtivo, minorias e governo, assim como tem trazido a sua influência frente ao empresariado local em busca de parcerias que complementem os planos de ação do governo.

 

“Eu sou candango, eu não sou carioca. Eu quero o bem de Brasília. Qualquer coisa que eu faça pela cidade, eu gostaria de fazer muito mais, muito mais. Eu sou daqueles apaixonados por Brasília.”

 

A convivência com o avô inspirou Paco a ingressar na política, atualmente presidente do partido Avante (ex-PTdoB), fundado em 2008. Antes, porém, foi secretário de Assuntos Institucionais no governo de Maria Abadia, 2006- 2007. E, paralelamente ao ofício na vice-governadoria, atua como secretário executivo no Consórcio Brasil Central, uma autarquia composta pelo Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Rondônia e Maranhão.

 

Colaborador PAULA SANTANA Foto CELSO JUNIOR

 

Passamos da metade do governo. Tivemos 2019 para organizar a casa e 2020 e 2021 convivendo com a pandemia. Qual a sua análise até aqui?

 

Nós pegamos uma casa totalmente desorganizada. O governo à época falava em R$ 3 bilhões de déficit, mas, ao fazer as contas, identificamos R$ 7 bilhões de déficit. Hoje, as contas estão em dia, fizemos com muita austeridade. Não atrasamos nem um mês o funcionalismo público, por exemplo.

 

Os projetos em pauta foram iniciados?

O DF perdia dinheiro da União porque não tinha projeto. Então, com determinação do governador, foi feito um book de projetos. Um senador dizia: ‘quero fazer isso em tal lugar’, e nos acolhíamos a emenda. E assim foi com deputados federais e distritais. Eles escolheram onde executá-las. De obras de meio-fio a viaduto.

Aí veio a pandemia…
Nós fomos o primeiro governo a fechar estabelecimentos. Apanhamos de tudo quanto é lado, mas houve o entendimento de que fizemos o certo. Nós fechamos o comércio e fomos abrindo gradativamente para que fôssemos equalizando a economia com a saúde da população. Nem sufocamos a população, nem matamos a economia. Nesse meio tempo, nós fizemos muitos ajustes com empréstimos pelo BRB, financiando comércios de todo tipo, porque eles foram muito prejudicados. Principalmente eventos.

 

E quanto às obras de infraestrutura?

Durante a pandemia, nós não paramos uma obra. O governo Ibaneis Rocha e Paco Britto continuou tocando quase 400 obras de grande porte, sem contar as mais de mil obras menores. Investimento de R$ 2,6 bilhões. Nós geramos diretamente 30 mil empregos.

O investimento em Taguatinga e na saída Norte, sentido Torto-Colorado, foi bastante robusto?
Entregamos a maior obra viária do País que é o Complexo Governador Joaquim Roriz. Um marco. Um conjunto de 23 viadutos e quatro pontes com  investimento de R$ 220 milhões. Beneficiamos cem mil motoristas por dia e reduzimos em até 55% o tempo de viagem. E, hoje, nós temos uma das maiores obras urbanas, o Túnel de Taguatinga, que está 40% pronto. São 1,7 mil pessoas participando com investimento de R$ 275 milhões. Vai beneficiar 130 mil motoristas diariamente. Nós não paramos e, nesse meio tempo, conseguimos crescer a economia com toda a dificuldade em 1%. Não é nada, mas é crescimento.

 

O senhor considera a gestão Ibaneis Rocha-Paco Britto uma boa dobradinha, visto que ambos são egressos da iniciativa privada?

Foi desde a transição quando ele me confiou a coordenação geral. Eu fui eleito o vice, eu sei o que é ser vice. É assessorar e substitui-lo em exercício como estive até hoje. Eu entendo a cabeça dele, então caminhamos na mesma direção. Não tem pegadinha.

Bem diferente de outros governos…

Mas sabe por que? porque todo mundo queria a cadeira do titular. Então, não é parceria. Nunca houve vice nos governos passados. Havia briga entre eles. Desde a época do Roriz com o Benedito.

 

Todas as vezes em que esteve como governador o senhor teve um olhar voltado para categorias diversas e mais fragilizadas, recentemente abrangendo pessoas com autismo, quiosqueiros, doentes com câncer, associação de catadores…

Eu assumi 12 vezes. E acho que se fomos eleitos com 70, 60% da população, nós temos que administrar direito. E para isso temos que dar ouvido às lideranças comunitárias. Esse governo quer cuidar da população do DF.

 

O senhor acredita que tais lideranças são fonte real de reconhecimento de uma comunidade?

Por elas o problema vem muito mais rápido. Até reclamar com o administrador e chegar no secretário… Nós temos que dar voz e escutar o que eles falam. Eu participo de quase 400 grupos no WhatsApp. Não falo em nenhum, mas quando percebo que têm líderes comprometidos com sua cidade, eu mando ver a possibilidade de resolver. Igual aconteceu agora com o Galeno na recuperação da calçada do lago Veredinha, em Brazlândia. Na mesma hora que eu soube, acionei a Terracap, o administrador. Não é um passeio qualquer, é a obra de arte de um grande artista.

 

E o olhar para a cultura e o lazer do DF? 

Estava abandonada. O Museu de Arte de Brasília há 14 anos fechado é um exemplo. Reabrimos. Estamos revitalizando a W3, fizemos o programa de recuperação de praças por meio da iniciativa privada, as inúmeras rotas turísticas como a do Rock. Está adiantada com a Caixa Econômica a reforma do Teatro Nacional. Tem muita coisa para fazer ainda e nós vamos ajeitando.

O turismo local começa finalmente a se fortalecer?

Nós temos um turismo forte. Cívico, místico, de arte, das trilhas, um artesanato presente. Essa é a nossa vocação e temos que gerar riqueza com isso também.

 

O senhor tem sido um bom articulador dessa dinâmica?

A maior prova que funciona são os dois hospitais acoplados, o de Ceilândia e o de Samambaia, que somam 200 leitos e que vão ficar eternos para a população. Quando o governador viu que não haveria recurso suficiente, eu disse a ele: ‘eu corro atrás’. E agradeço a várias empresas do DF que acreditaram e doaram. E viram a transparência do investimento. Mas maior que isso é a responsabilidade que você carrega quando bate na porta de um amigo para pedir. Mas foi lindo ver pessoas doando R$ 50, R$ 100.  Sabe o que eu fiz? agradeci cada um deles. E todos esses receberam do governador Ibaneis um certificado. Mais de 700 pessoas. É assim que criamos um vínculo com a sociedade civil.

 

A sua mulher, Ana Paula, assumiu um papel social voluntário  de extrema importância neste período da pandemia. Como vem lidando com tanta demanda frente ao trabalho com vulneráveis?

É muito complicado traçar esse mapa, pois as demandas são as mais variadas possíveis. Como disse, o caminho mais próximo é dar voz para  lideranças sérias. O grande problema ainda é a máquina administrativa do País. Ela é lenta, burocrática e inchada. Eu e o governador, que viemos da iniciativa privada, vivemos em agonia com essa dificuldade.

 

Como se fundamenta o plano de trabalho do consórcio Brasil Central?

 

Esse consórcio já existia. São sete estados. Mas qualquer estado pode entrar. Existe um rodízio, o governador Ibaneis tornou-se presidente e me colocou como secretário executivo. Qual o meu papel? Levar pautas, discutir com conselheiros e apresentar para os governadores decidirem. Foi o que aconteceu recentemente com a vacina Sputnik, que nós estávamos comprando diretamente do fundo soberano russo. Esse consórcio é para o desenvolvimento. Hoje, esses estados somam  26 milhões de pessoas, o que equivale a quase 25% do PIB.

 

Existe ponto comum a todos?

 

A pecuária e o turismo são o ponto forte dos sete estados. Não somos industrializados.

 

Não somos industrializados, mas o senhor acha que ainda somos uma capital essencialmente administrativa?

 

Tem que mudar a pirâmide. Essa visão de que Brasília é administrativa não procede mais. Nós temos, sim, indústrias de porte menor. Nós temos que fazer a cidade gerar impostos para arrecadarmos e gastarmos aqui. Chega dessa conversa de que só se recebe de governos, tribunais, parlamento, embaixadas.

 

Qual o segmento que atualmente o governo considera mais bem-sucedido?

 

Na pandemia, com certeza absoluta foi a construção civil. Mas não podemos deixar de citar o comércio com bares, restaurantes, eventos.

 

Como está o ritmo da vacinação?

 

Nós seguimos o Plano Nacional de Imunização (PNI). Nós só conseguimos anunciar amanhã e depois, quando chegar a vacina hoje, se não nós criamos uma expectativa muito grande. O ministério distribui a vacina per capitamente. Isso é importante ficar claro.

 

Atualmente, tem existido um certo fluxo de pessoas indo e vindo entre estados próximos para tomar a vacina antecipadamente. Compromete?

Compromete um pouco. Tal qual os leitos de UTI dos hospitais quando estávamos no pico das internações e 20% eram doentes do entorno. Mas é sistema único de saúde. Não tem como proibir.

 

Já começa a se desenhar um cenário eletivo? Qual o seu posicionamento?

Quando o governo é bom todo mundo quer ser vice, né?

 

Estão querendo o seu lugar, governador?

Engraçado que em governos passados, ninguém queria ser vice do outro cara. Agora não, todo mundo quer a vice. Quando me perguntam sobre isso eu respondo o clássico: time que está ganhando, não se mexe. Mas a pergunta que deixo no ar é: aqueles que querem a vice onde estavam na eleição passada? Ao lado de quem? Os Judas sempre existirão e sempre trairão.

 

A disputa vai ser entusiasmante no DF?

Vai. Eu tenho conversado com o governador e não estamos tratando de política. Ainda estamos tratando de salvar vidas. As pessoas esquecem que estamos no meio de uma pandemia? Quem ousar falar de política agora vai se arruinar. Então, no começo do ano que vem, nós vamos ter que sentar e ver como vai ser.

 

Mas o senhor é candidato ao cargo?

Sou, sim, pré-candidato a vice-governador na chapa de Ibaneis Rocha. Se o governador não quiser essa conjuntura, nós reavaliamos.

 

E no dia a dia o senhor trouxe a sua família para perto! Por algum motivo especial?

Não fui eu quem os trouxe! Foram eles que vieram comigo! Porque viram o quanto me empolga esse trabalho. Eles me dão tranquilidade e força, sabendo que, mesmo saindo de casa às 7h e voltando às 23h, estou realizado!